Permanência das representações do gênero em sexologia: as inovações científica e médica comprometidas pelos estereótipos de gênero

AUTOR(ES)
FONTE

Physis: Revista de Saúde Coletiva

DATA DE PUBLICAÇÃO

2007

RESUMO

Numerosas mudanças surgiram no domínio da pesquisa em sexologia, notadamente no que concerne à função e disfunções sexuais e seus tratamentos. A disfunção erétil foi reconceitualizada como uma disfunção com origem orgânica, uma transformação em relação às abordagens anteriores acerca da impotência psicogênica, desenvolvidas nos anos 1960 e 1970. Essa mudança se baseia em muitas descobertas científicas e no avanço farmacológico realizado sob influência de urologistas norte-americanos. A disponibilização no mercado do sildenafil, em 1998, acionou novos tipos de tratamentos, centrados na atividade peniana. Os mesmos grupos de urologistas passaram recentemente a repensar as "disfunções sexuais femininas" segundo o mesmo modelo orgânico da função sexual. Novos produtos farmacêuticos estão em testagem clínica, tendo em vista a proposta de tratamentos da nova categoria de transtornos sexuais. A colocação no mercado do sildenafil não provocou reações contrárias às novas abordagens dos transtornos sexuais masculinos. Inversamente, o surgimento de novos conceitos da função sexual feminina suscita importantes debates. O British Medical Journal veiculou uma discussão, estabelecendo que a função sexual feminina não possuía origem orgânica, mas fundava-se em fatores psicológicos e relacionais da atividade sexual das mulheres. O debate centrou-se na "simplicidade" da sexualidade masculina, em oposição à "complexidade" da sexualidade feminina. Este artigo apresenta a analisa as novas concepções da função sexual masculina e feminina, e evidencia a permanência de estereótipos tradicionais da sexualidade masculina e feminina, e sua influência sobre as pesquisas científicas mais avançadas nessa esfera1.

ASSUNTO(S)

estereótipos gênero sexualidade tratamentos farmacológicos medicina sexual

Documentos Relacionados