Vegetarianismo além da dieta: ativismo vegano em São Paulo

Autor Principal: Ernesto Luiz Marques Nunes
Tipo: Teses/dissertações
Idioma: Português
Publicado em: 2010
Assuntos:
Link Texto Completo: http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=11448
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Esta dissertação de mestrado tem como objetivo investigar o ativismo vegano como se constitui, como se organizam os grupos e coletivos que o formam, como atuam e difundem sua causa na Região Metropolitana de São Paulo.

A hipótese inicial de trabalho é a de que o ativismo vegano representa uma forma de transformação social, levando em conta o questionamento que fazem do consumo de produtos e serviços que envolvem a utilização de animais.

O estudo inicia com uma caracterização das várias vertentes do vegetarianismo entre as quais o veganismo , considerando em sua análise alguns conceitos-chave da abordagem teórica presente na obra de Pierre Bourdieu, como habitus, gosto, violência simbólica e estilos de vida.

Além de Bourdieu, referência no campo das Ciências Sociais, três outros autores, os filósofos Peter Singer e Tom Regan, e o jurista Gary Francione, são apresentados como teóricos que contribuem com conceitos senciência, especismo, bem-estarismo, entre outros que servem de referência teórica e prática à ação dos veganos, sobre os quais apresento um painel de sua organização, atuação e difusão de ideias, analisando, por fim, sua contribuição para possíveis transformações sociais.

Foi adotada uma estratégia metodológica que combina diversas técnicas de perfil qualitativo e quantitativo, como a entrevista em profundidade presencial, o questionário on line, a entrevista por e-mail somente com questões abertas, a observação etnográfica e a etnografia virtual.

No total foram entrevistados 230 vegetarianos para dar conta de apresentar as origens vegetarianas do ativismo vegano, a partir do detalhamento dos diversos tipos de vegetarianismos (lactovegetarianismo, ovovegetarianismo, ovolactovegetarianismo e o vegetarianismo estrito ou vegano) existentes, as diferenças entre regime e prática alimentar vegetarianos, as principais motivações para tornar-se vegetariano saúde, religião, ecologia, economia, ética , além de apontar o perfil, as características do estilo de vida e as violências simbólicas sofridas por eles em seu dia a dia.

Nesse sentido, a dissertação insere-se no campo das Ciências Sociais, particularmente voltada para uma antropologia dos estudos do consumo, das apropriações e dos usos