Transtornos psiquiátricos na distonia primária

Autor Principal: Fernando Machado Vilhena Dias
Tipo: Teses/dissertações
Idioma: Português
Publicado em: 2009
Assuntos:
Link Texto Completo: http://hdl.handle.net/1843/BUBD-8AFJ88
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A distonia é um distúrbio involuntário do movimento caracterizado por contrações musculares sustentadas, determinando movimentos de torção e/ou posturas anormais.

É o resultado da contração concomitante de músculos agonistas e antagonistas.

Vários estudos evidenciaram alterações não motoras em pacientes com distonia focal primária (FD).

Enquanto esses achados confirmam a hipótese de disfunção da interação entre o córtex frontal, núcleos da base e tálamo , estudos recentes apresentam resultados conflitantes sobre transtornos psiquiátricos e desempenho cognitivo na FD.

Blefaroespasmo (BM), um tipo (FD), é uma síndrome caracterizada por contrações sustentadas e involuntárias das pálpebras.

Pacientes com espasmo hemifacial (EH) perfazem um bom grupo controle quando se investiga alterações não motoras em pacientes com BM.

O objetivo do estudo foi avaliar a frequência de transtornos psiquiátricos em pacientes FD.

Foi realizado um estudo de corte transversal em que se procederam entrevista e exames psiquiátricos de forma consecutiva em 47 pacientes com FD (H/M 16/31).

Além disso, foi realizado um estudo caso-controle, no qual o grupo de 22 pacientes com BM (H/M; 7/15) foi comparado ao grupo controle EH, constituído por 29 pacientes ( H/M; 7/22).

Utilizaram-se como instrumentos de avaliação psiquiátrica o Mini-International Neuropsychiatric Interwiew versão plus (MINI-PLUS), Escala de Obsessão e Compulsão da Yale Brown (YBOCS), Inventário de Depressão de Beck (BDI), Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM A), Escala de Depressão de Hamilton (HAM D), Escala Liebowitz de Ansiedade Social (LS) e Bateria de Avaliação Frontal (BAF).

Ao avaliar a frequência de transtornos psiquiátricos na FD, encontrou-se, segundo o MINI-PLUS, que 12,8% dos pacientes apresentavam o diagnóstico de abuso e dependência de álcool, 29,8% de transtorno depressivo maior, 44,7% de fobia social, 10,6% de fobia específica e 10,6% de transtorno obsessivo compulsivo.

De acordo com o YBOCS, 80,9% não apresentaram sintomas obsessivos compulsivos.

Ao comparar os grupos BM e EH, não houve diferença estatística na idade (p=0,6), sexo ( p= 0,5), duração dos sintomas (p=0,9), escolaridade em anos (p=0,4).

Os transtornos psiquiátricos avaliados pelo MINI-PLUS, também, não alcançaram diferença estatística entre os grupos.

Os resultados obtidos pelas escalas psicométricas utilizadas não alcançaram significância estatística entre os grupos.

Os escores da BAF correlacionaram significativamente com escolaridade (r=0.5).

O estudo mostra que os pacientes com FD apresentam frequência alta de transtornos psiquiátricos.

O funcionamento cognitivo avaliado pela BAF não estava alterado.

Todavia, o estudo não confirmou a hipótese que as manifestações não motoras seriam uma particularidade da FD, uma vez que não houve diferença nos resultados entre os grupos BM e EH.